Séculos de presença, e o retorno
“Amai a verdade! Amai a paz!”
Este tour não é um roteiro de vítimas. É a história de uma comunidade que, por séculos, ajudou a construir Berlim — e que quase foi dizimada. Começa na Idade Média, quando os primeiros judeus de Berlim foram acusados e expulsos, em 1510; e segue em 1671, com cinquenta famílias vindas de Viena a convite do Grão-Príncipe Eleitor de Brandemburgo. A comunidade floresce no século das ideias, quando Moses Mendelssohn e os salões de Rahel Varnhagen fazem da cidade um centro do Iluminismo, protegidos pela liberdade religiosa na Prússia. Em 1933, Berlim tinha a maior comunidade judaica do país — um terço dos judeus alemães.
Depois veio a ruptura. Caminhamos pelo antigo bairro judaico — o Scheunenviertel — e por seus marcos: a sinagoga, o cemitério onde repousa Mendelssohn, a escola, o prédio de onde partiram os deportados. Mas também por gestos de luz no meio do escuro: a oficina de Otto Weidt, que escondeu judeus; o protesto das mulheres da Rosenstraße, que arrancou os maridos das mãos da Gestapo.
E, no fim, o retorno. Nelly Sachs, poeta judia berlinense que escapou para a Suécia, escreveu: “Em vez de pátria, guardo as metamorfoses do mundo.” Hoje a vida judaica voltou a Berlim — de outros modos, com outras vozes. Por isso este passeio termina não em um túmulo, mas com um nome que a cidade escolheu lembrar: o de Regina Jonas, a primeira mulher a ser ordenada rabina no mundo.
Antes de 1933, cerca de um quarto dos ganhadores alemães do Prêmio Nobel eram de origem judaica — sendo os judeus menos de 1% da população. Einstein, Fritz Haber, Paul Ehrlich, James Franck, Richard Willstätter, Otto Meyerhof… No mesmo período, a Alemanha ficava com cerca de um terço de todos os Nobel do mundo. Em 1933, o regime expulsou de seus postos cerca de vinte laureados: a Alemanha exilou a própria excelência — e enriqueceu os países que a acolheram.
Em fevereiro de 1943, na “Ação Fábrica” (Fabrikaktion), a Gestapo prendeu os últimos judeus de Berlim. Cerca de 1.800 deles — homens casados com mulheres não-judias — foram levados a um prédio da Comunidade Judaica, na Rosenstraße. E então aconteceu o inesperado: as esposas não-judias foram para a rua, dia após dia, de 27 de fevereiro a 6 de março, pedindo os maridos de volta. Sem líderes, sem armas, no coração do Reich — e o regime cedeu: os homens foram soltos. É o raro caso em que o protesto público funcionou. Fica a pergunta que o lugar sussurra: e se mais gente tivesse ido à rua?
O núcleo é caminhável, no antigo bairro judaico (Mitte). Locomoção, encontro e idioma estão em Como funciona.
Preços — ver a tabela.
★ = posso guiar/contextualizar vocês; Vocês também podem fazer por conta própria — neste caso posso fazer a reserva dos ingressos.
O grande museu da história judaica na Alemanha, na arquitetura marcante de Libeskind (os “vazios”, o Jardim do Exílio).
80 letreiros de rua (Stih & Schnock, 1993), cada um com um decreto antijudaico — no bairro onde moraram Einstein e tantos intelectuais judeus.
A plataforma de onde partiram os trens de deportação; cada trilho de ferro traz uma data e um número.
O campo de 2.711 estelas de Peter Eisenman, junto ao Portão de Brandemburgo; embaixo, o centro de documentação.
A praça da queima dos livros de 1933; no chão, a “biblioteca vazia” de Micha Ullman e a placa com o verso de Heine (cruza com o tour A Alemanha Nazista).
Eu providencio a compra/reserva de qualquer ingresso acima, mesmo sem a visita com a guia. Taxa de 10% sobre o total desses serviços (pagamento adiantado).
Me chame no WhatsApp com a data e quantas pessoas — o resto a gente acerta junto.
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