Do Gendarmenmarkt à Catedral de Berlim
“Que cada um, à sua maneira, encontre a salvação.”
Enquanto o Eixo do Século XX atravessa o século das catástrofes, este é o seu avesso luminoso. A Berlim que percorremos aqui nasceu do pântano e da areia, e foi o Rei-Soldado — o pai de Frederico II — quem primeiro lhe deu os exércitos. Só com Frederico, o Grande, entre uma guerra e outra, a cidade quis ser também ópera, biblioteca e museu: ao longo da Unter den Linden ergueu-se um fórum de palácios, teatros e academias. A frenética vida intelectual florescia nos salões — os saraus em que damas como Rahel Varnhagen reuniam nobres, judeus e poetas para conversar como iguais. Chamaram a cidade de Spree-Athen, a Atenas às margens do Spree (nome do rio que corta Berlim) — exagero puro, mas mesmo assim foi com Frederico que a vida filosófica se instalou em Berlim. A Prússia das ideias e das colunatas, o outro lado do Estado-quartel.
Caminhamos sem pressa por algumas das praças mais bonitas da Europa e terminamos diante da Catedral de Berlim — a igreja da corte dos Hohenzollern, sob a qual repousa a família que reinou na Prússia. Ou terminamos ao saírmos dela, caso tenham escolhido o módulo da Catedral. É um passeio de beleza e de prazer, um contraponto ao peso do século XX. Mas Berlim nunca é só uma coisa: aqui e ali, o fio iluminado roça a sombra — foi numa dessas praças que, em 1933, aconteceu a Grande Queima dos Livros.
Porque Frederico, o Grande, preferia sua Academia de Ciências (1700) — via as universidades como ninhos de pedantismo. As prussianas ficavam em outras cidades (Halle, Königsberg). Berlim só ganhou a sua em 1810, por um motivo amargo: depois da derrota para Napoleão (1806), a Prússia humilhada decidiu substituir pela força do espírito o que perdera em força militar. Wilhelm von Humboldt criou ali um novo modelo de universidade — pesquisa e ensino unidos, liberdade acadêmica —, “a mãe das universidades modernas”, na Unter den Linden. O Estado-quartel, vencido pelas armas, rearmou-se com a mente.
A Catedral de Berlim (1894–1905) já não é a Prússia sóbria de Frederico: é a igreja imperial de Guilherme II, os Hohenzollern se glorificando em pedra. Alta Renascença italiana com sopro barroco — o rosto do estilo guilhermino, a arquitetura pomposa do Império. (Detalhe: o arquiteto Raschdorff era católico e ergueu a maior igreja protestante do país.)
Dentro: a escadaria imperial, os mosaicos da cúpula de Anton von Werner, o órgão Sauer de 7.269 tubos; embaixo, a cripta dos Hohenzollern — 91 sepultamentos da dinastia (cerca de um terço, caixões de crianças), entre eles os sarcófagos barrocos de Frederico I e Sophie Charlotte, de Andreas Schlüter.
Abrimos na tolerância de Frederico e fechamos na catedral de Estado — a mesma dinastia, a autoimagem inflada em 150 anos.
Locomoção, encontro e idioma estão em Como funciona.
Preços — ver a tabela.
★ = posso guiar/contextualizar vocês; Vocês também podem fazer por conta própria — neste caso posso fazer a reserva dos ingressos.
Uma mini-visita guiada a cinco pontos altos do Museu Novo, na Ilha dos Museus — com a famosa Nefertiti.
A catedral imperial dos Hohenzollern (1905): a nave, a cúpula com vista sobre Berlim e a cripta da dinastia.
Museu na Ilha dos Museus; guarda o famoso busto da rainha Nefertiti (Egito, ~1340 a.C.) e a grande coleção egípcia.
Terraço no topo do palácio reconstruído (Humboldt Forum), com vista sobre a Ilha dos Museus, a Catedral e o centro histórico.
Obra de 360° do artista Asisi que recria a cidade antiga de Pérgamo; substitui o Museu de Pérgamo, fechado para reforma.
Eu providencio a compra/reserva de qualquer ingresso acima, mesmo sem a visita com a guia. Taxa de 10% sobre o total desses serviços (pagamento adiantado).
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