A Cidade Operária que se tornou a capital socialista
“Não seria mais simples o governo dissolver o povo e eleger um outro?”
Antes de ser “o Leste” da Guerra Fria, esta já era a Berlim de quem trabalhava. Ela tomou forma no crescimento explosivo após a fundação do 2º Império, em 1871: quando Berlim virou capital imperial e a população disparou, os “cortiços” (Mietskasernen) foram erguidos às pressas — para dar alojamento aos operários e maximizar os lucros dos construtores. A precariedade era filha da especulação. Era aqui, nos pátios escuros desses prédios, nas fábricas e nas ruas de Prenzlauer Berg e Friedrichshain, que vivia a Berlim que ergueu a metrópole com as próprias mãos: a Berlim Vermelha dos anos 1920, um dos maiores redutos operários e sindicais do país.
E aqui está a ironia que dá nome ao passeio: quando os vencedores dividiram a cidade em 1945, foi justamente essa Berlim — a operária, a popular — que coube ao setor soviético. O socialismo não inventou o Leste; ele herdou uma Berlim que já era a dos trabalhadores — e correu para dar-lhe glória. A RDA manteve Berlim como a capital e ergueu, na Karl-Marx-Allee (a antiga Stalinallee), os “palácios dos trabalhadores”. Mas, em meio à Guerra Fria, a promessa tinha o seu avesso: a Stasi; os tanques que, em 1953, o “Estado dos trabalhadores” usou contra os próprios trabalhadores em greve; e o Muro, erguido em 1961.
Caminhamos por essa Berlim de baixo para cima — da cidade que os operários construíram à capital socialista que os operários também construíram. E, no fim, o que restou após a reunificação alemã: em parte apagada (o Palácio da República, demolido), em parte sobrevivente e até virada moda — a Ostalgie, o Ampelmann, os clubes que fizeram do antigo Leste a Berlim da noite.
A RDA ergueu a Torre de TV (1969, 368 m — a mais alta da Alemanha) como símbolo do futuro socialista, moderno e ateu. Só que a esfera de aço, quando o sol brilha, reflete a luz na forma de uma cruz. Os berlinenses do Oeste caçoaram: o Estado que bania Deus não conseguia se livrar dele — apelidaram o fenômeno de “a vingança do Papa” (e a torre, chamavam de “São Walter”, por causa de Walter Ulbricht, o chefe político da RDA). Até hoje, num dia de sol, a cruz aparece.
Locomoção, encontro e idioma estão em Como funciona.
Preços — ver a tabela.
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Frankfurter Tor: as torres gêmeas de Henselmann na Karl-Marx-Allee. East Side Gallery: o maior trecho do Muro, pintado em 1990.
O bairro “medieval” que a RDA reconstruiu em 1987, nos 750 anos de Berlim.
O antigo Leste boêmio, hoje um dos bairros mais badalados da cidade.
Museu interativo do cotidiano na Alemanha Oriental — dá para tocar, abrir gavetas e “dirigir” um Trabant.
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